Blog

Ciúmes

5 abr 2021

Todos nós somos, em partes, produtos do nosso ciúme. Afinal, uma das nossas primeiras manifestações de ciúmes se dá logo na infância quando nos deparamos com o fato de que nossas mães possuem outros interesses que não seja nós. Elas trabalham, cuidam de outros filhos, dão atenção ao pai/parceiro e realizam “n” tarefas que nos obrigam a desde crianças a nos deparar com o fato de que por mais amados que somos, não somos – e não podemos ser – a totalidade do desejo de alguém. 

O ciúmes é o medo da perda do objeto ao qual nosso amor está dirigido ou o simples fato da ameaça – real ou não – de perdê- lo. Pode se tratar de uma defesa frente a diferentes angústias humanas, como por exemplo: uma projeção dos próprios conteúdos no outro, um mecanismo para se livrar da culpa ou uma maneira de reviver a situação infantil. 

Quando o ciúme atinge uma dimensão que incomoda, isto é, que atrapalha a convivência, é possível que o enciumado procure um analista. Suas tarefas, seus trabalhos e seus gostos são invadidos pelo ciúmes de tal maneira que a pessoa passa, em maior ou menor grau, a ser refém do outro. O ciumento está preso em uma cadeia de pensamentos que o controlam: o que o outro está fazendo ou não? Aonde ele está? No que pensa?

O ciumento que é invadido por estas ideias sobre o outro, ao mesmo tempo que é controlado por eles, busca controlar o outro. Desse modo, instaura-se uma dinâmica controladora na qual ambas as partes sofrem pela falta da liberdade. 

 

Maria Carolina Passos S. Cassaçola