Para Freud, felicidade se relaciona diretamente com a realização dos nossos desejos infantis.
E qual criança condiciona sua felicidade aos ganhos financeiros?
Em geral, as crianças são apegadas às sensações que os objetos lhe proporcionam, não ao valor financeiro deles. Uma criança certamente se lembrará de um balão que gostou mas não saberá ao certo seu valor monetário.
Esse é, também, o princípio valioso explorado no marketing: utilizar o que o consumidor vai sentir ao utilizar ou adquirir determinado produto: “você será mais completo se comprar x ”, “se sentirá mais confortável se usar y”.
Nada é sobre ter, é sobre sentir que se tem.
O dinheiro pode ter diferentes significados ocultos para cada um de nós. Depende da história de quem o usa. Presenteamos para demonstrar amor, cobramos para demonstrar ódio, doamos para acalmar a culpa. Podemos nos sentir seguros com ele ou reféns dele. A questão não é o dinheiro mas o uso que se faz dele.
Olhando para alguém que não conhecemos podemos supor que essa pessoa tem ou não condições financeiras. Em contrapartida, ao olhar para alguém: como saber se ela é – ou não – feliz?
Viver em busca da felicidade parece ser cada vez mais o objetivo das pessoas. Freud completa dizendo que “cada um deve descobrir por si mesmo o que é ser feliz”. É uma tarefa muito mais pessoal, trabalhosa e que não está à venda porque aquilo que sentimos não é passível de preço.
Para o pai da psicanálise o homem bem sucedido é aquele que “consegue transformar em realidade as suas fantasias”. Nesse caso, a intimidade com si mesmo possibilita reconhecer que nada ou ninguém “traz” felicidade. Ela é fruto da satisfação de ser capaz de usar da melhor forma todos os nossos recursos internos e externos, reconhecendo que nem tudo que custa caro vale muito.
Maria Carolina
