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Nascisistas

18 nov 2024

A palavra “narcisismo” remete a um mito. Narciso era um jovem de rara beleza e profundamente arrogante. Após rejeitar o amor de uma ninfa, foi amaldiçoado por uma deusa a apaixonar-se por sua própria imagem refletida na água de um rio. Incapaz de se afastar de sua reflexão, Narciso acaba morrendo, consumido por um amor excessivo e impossível por si mesmo.

Na psicanálise, o narcisismo é entendido como uma fase pela qual todos nós passamos. A infância é marcada por um senso de vaidade exacerbada, onde o bebê acredita que seus desejos devem ser atendidos imediatamente. Quando um bebê quer algo, ele quer agora!

Nesse estágio, a criança muito pequena enxerga o mundo como centrado nela mesma. Acredita que tudo e todos existem para servi-la. Essa percepção egocêntrica é parte natural do processo de amadurecimento psíquico. Contudo, o problema surge quando, mesmo na vida adulta, uma pessoa permanece desconsiderando a existência e a autonomia do outro, focada apenas em si mesma.

Pessoas com esse padrão tendem a falar, agir e pensar prioritariamente em benefício próprio. À primeira vista, podem parecer extremamente confiantes, mas, na verdade, estão profundamente assustadas com a complexidade e as diferenças que o mundo apresenta.

Sair de si mesmo e imaginar como outra pessoa se sente é uma capacidade psíquica sofisticada. Essa empatia exige reconhecer que somos seres únicos, separados uns dos outros — e que, por isso mesmo, enfrentamos, inevitavelmente, a solidão da nossa existência.

Maria Carolina